Sou benfiquista e defendo com paixão e ganas o meu clube, contra quem quer que seja, quando seja ou onde seja. O que não faço, e Pedro Guerra também não deveria fazer, é roçar a fronteira do radicalismo clubista que, tal como outro qualquer radicalismo, não traz nada de bom...
Como já disse, sou benfiquista desde que me lembro, adoro futebol, vibro com o jogo e devoro todos os programas em que, independentemente da cor clubística, alguém fala, opina, divaga ou ensina alguma coisa sobre o mesmo. Assim, a juntar ao Trio de ataque, Prolongamento, e mais alguns, não perco também, dentro das minhas possibilidades, a emissão do programa Mercado, que vai para o ar na CMTV.
Nesse programa, os três grandes estão representados por Paulo Andrade (Sporting), Jorge Amaral (FCP), Octávio Machado (independente), e Pedro Guerra (SLB).
E se, no caso dos dois primeiros, a clubite aguda se manifesta constantemente, no caso do Pedro, essa clubite além de ser cronica é também, temo, irritantemente condicionadora do bom senso.
Eu entendo, e até subscrevo por baixo, algumas das alegações\acusações do Pedro, principalmente no que diz respeito ao FCP e, mais concretamente, ao seu presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa. São publicas as histórias de corrupção, coação e aliciamento de elementos ligados á arbitragem, nomeadamente nas escutas telefónicas a que todos os interessados tiveram acesso, no célebre caso "apito dourado", em que PC foi condenado pela justiça desportiva por corrupção. É público também, o poder do FCP dentro do chamado "sistema", na pessoa do seu presidente, onde PC se movimenta como peixe na água, e que lhe valeu a alcunha de "Papa" do futebol português. Embora as coisas pareçam ter mudado, o peso de PC no panorama futebolístico nacional é, e continuará a ser, imenso. Mas nenhum destes factos é argumento para a cegueira clubística de Pedro Guerra. Quando vocifera empolgada mente argumentos fortes, que chegam a roçar a ofensa gratuita e falta de civismo, creio que Pedro Guerra fica cego de tal forma que se esquece da educação que recebeu, assim como do facto de estar a falar de instituições centenárias, que muito fizeram pelo prestígio do futebol português principalmente nos últimos 30 anos, e que não podem ser confundidas com uma ou mais pessoas, sejam elas quem forem,mesmo que sejam o máximo responsável das mesmas...
Quem não é ingénuo, sabe, ou pelo menos desconfia, do que se passa nos bastidores do futebol, onde á muito tempo que os interesses económicos se sobrepõem ao amor pelas camisolas. Hoje, os clubes são Sociedades Anónimas Desportivas, em que o sucesso desportivo é importante, mas o bem estar financeiro e o lucro é o mais importante. Lucro esse que sustenta a sad, os seus gestores, a sua equipa técnica, jogadores, funcionários, colaboradores, responsabilidades financeiras e afins...
Dentro da categoria afins, todos já ouvimos falar de subornos a árbitros, observadores, empresários e até treinadores e jogadores, aliciados para ajudar a obter determinado resultado, tudo em prol de um determinado clube. Também já ouvimos falar árbitros e jogadores que confessaram ter sido subornados com dinheiro, viagens, bens ou prostitutas, para que, individualmente ou em conjunto, falsearem a verdade desportiva e assim influenciar resultados. Assim, todos nós sabemos o que se passa, pois como o Pedro Guerra gosta de dizer, "as pessoas lá em casa não são parvas"! Agora, nem todos os intervenientes do futebol são corruptos ou corruptores. Nem todas as pessoas vêem o mundo dessa forma. Assim, acredito e preciso de acreditar, que no futebol a verdade desportiva impera, que o meu clube ganha campeonatos de forma limpa, e que os títulos alcançados são apenas e só fruto da qualidade, arte e profissionalismo de um conjunto de pessoas que, em uníssono, rema uma época inteira no mesmo sentido, com o intuito de ganhar, vencer uma ou mais competições, para poderem ser apelidados a partir dessa altura de Campeões!
Estar constantemente a acusar e a falar de clubes corruptos, dando a ideia que o sistema está de tal forma instalado, leva nos a pensar que,se calhar, também nós quando ganhamos recorremos a algum tipo de subterfúgio, pois só assim se pode ganhar, não dependendo a vitória apenas da qualidade dos intervenientes, mas de factores externos que nada tem a ver com futebol, e sim com movimentações mafiosas nos bastidores de um jogo ou competição. Sejamos sérios, não somos anjinhos nem honestos apenas por sermos benfiquistas. Somo lo porque assim nos educaram e foram esses os valores que nos transmitiram. Estar constantemente a falar de merda, faz nos mais tarde ou mais cedo cheirar tão mal como ela...